Enquanto recordava uma das triologias cinematográficas que mais admiro deparei-me com este vídeo sobre tipografia e Senhor dos Anéis: 2 em 1. Decidi partilhar com vocês:
quinta-feira, 7 de abril de 2011
sábado, 2 de abril de 2011
Proposta 2: Primeiras experiências
Dentro dos três heterónimos, decidimos escolher Álvaro de Campos para dar o início "real" à proposta.
Este heterónimo, como já dei a entender num post anterior, transmite-nos a sensação de força, movimento, progresso, violência etc. Neste seguimento, optamos por dispor letras em forma de roldanas, remetendo para os movimentos industrais, que, como se sabe, possuem uma forte componente na poesia de Campos. Álvaro de Campos exaltava a civilização moderna e todos os processos a ela associada.
Aqui vão algumas das nossas experiências isoladas no photoshop...
Proposta 1: Recolha fotográfica/imagens e memória descritiva
Finalmente, podemos apresentar a nossa proposta final!
Houve uma altura em que estivemos um bocado perdidos porque não sabíamos como levar a nossa ideia avante. Mas,focamo-nos na essência da nossa ideia e acabamos por ter um resultado.
O que decidimos no início passava por jogar com pontos, linhas e cores (com destaque para o preto e o branco, como referência ao facto da música ter sido pensada para um ritmo mais "roqueiro" , daí o contraste, mas que acabou por ter um ritmo mais coeso, pop). Queriamos utilizar a minimização, ou seja, sintetizar ao máximo a imagem, mas sempre de forma perceptível.
Optamos por realizar esta proposta através de meios manuais, ou seja, sem ajuda de programas informáticos. Desta forma, necessitamos de cartolinas, tesoura, marcadores, compasso, régua, cola e recolhemos algumas imagens de revistas (e uma ou outra através da internet, a única altura onde utilizamos o computador).
A letra da nossa música enfatizava a ideia do tempo e da não existência de segundas oportunidades porque o “tempo” não pára. Enfatizava a ideia dos sonhos que nem sempre se concretizam e como ficamos tão desiludidos quando isso acontece.
Esta ideia tinha de ser transmitida através de duas formas base: o círculo e o quadrado.
Círculo
Desenhamos dois círculos em cartolina preta e branca, respectivamente. A preta tinha de ter, obrigatoriamente 11,5 cm de diâmetro e a parte branca, à nossa escolha, teve 10,5 cm de diâmetro. A diferença de 1 cm representou a “borda” do nosso relógio. O “tempo”, com muita importância na música escolhida, era um factor essencial e consideramos que o relógio era uma das imagens mais representativas. Os ponteiros do relógio, desenhados com marcador preto (linhas) indicavam as três horas, como referência a “three times to regard”, um verso da nossa música. Dentro do relógio, através de linhas, desenhamos uma árvore. Esta árvore continha “frutos” coloridos (marcador rosa, azul e amarelo) representativos dos nossos sonhos. Mas, à medida que descíamos do topo para o tronco e para o chão, esses pontos adquiriram uma coloração mais escura (azul escuro e preto), representando os sonhos que não concretizados que caem por terra. Na borda do nosso relógio, a preto, escolhemos quatro imagens: os olhos de um bebé, lábios, (beijo) um pai com o filho e o olho de uma senhora idosa. Estas quatro imagens são simbólicas e não têm uma ligação directa com a imagem. As imagens foram colocadas ao longo do relógio, como forma de indicar um ciclo sempre em acção. Desta forma, queríamos deixar patente a ideia de que o “tempo” não pára e tudo continua, por isso, não existem segundas oportunidades.
Quadrado
No quadrado, a ideia a representar era a mesma. E, assim, optamos por representar exactamente o mesmo relógio. No entanto, e aproveitando a forma do quadrado de 12 cm, escolhemos algumas imagens que cobriram o quadrado preto. Basicamente, aquele ciclo simbólico da vida, teve especial relevância nesta forma. Nã existem segundas oportunidades e tudo continua. As imagens escolhidas foram a do bébé, crianças, lábios (beijo), alianças, maternidade, pai e filho, olhos de uma senhora idosa e céu.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Proposta 2: Primeiras considerações
Esta proposta tem como base versos de um dos maiores escritores portugueses: Fernado Pessoa.
Pessoa tinha uma personalidade, no mínimo, complexa e desconcertante. Era ocultista, publicou apenas um livro, "A Mensagem" embora se tenha desdobrado em diversos heterónimos. São, precisamente, versos dos três principais heterónimos que vão influenciar o nosso projecto, como assim foi estipulado pelo enunciado.
Os heterónimos tinham personalidades diferentes e complexas, o que, à partida, irá permitir a criação de três tipografias igualmente distintas.
"Ser-me-ás suave à memória lembrando-te - assim à - beira - rio,
Pagã triste e com flores no regaço."
Ricardo Reis é um leitor de clássicos latinos, um epicurista que defende o prazer momentâneo, "carpe diem", como o caminho para obter a felicidade, mas sem ceder a impulsos e instintos. A satisfação dos desejos deve ser estável, sem dor, e para tal é necessário um estado de ataraxia - tranquilidade sem perturbação. Mas, esta tranquilidade é complicada de obter por isso deve-se viver em conformidade com as leis do destino, indiferente à dor, numa ilusão de felicidade. Ricardo Reis aceita com calma, lucidez, a fugacidade e efemeridade das coisas.
Em poucas palavras, este heterónimo pode ser caracterizado pelos seguintes adjectivos: calma, lucidez, tranquilidade, equlibrio, clássico, formal, rigoroso.
(Exemplo de um aluno de anos anteriores)
"Tristes das almas humanas, que pôem tudo na ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!"
Alberto Caeiro importa-se com a forma objectiva e natural realidade com a qual contacta a todo o momento. Pensa vendo e ouvindo. Caeiro é um poeta da Natureza. Só existe a realidade, o tempo é ausência de tempo sem passado, presente ou futuro, pois todos os instantes são unidade do tempo. Só lhe interessa aquilo que capta através das sensações. Passeando e observando o mundo, personifica o sonho da reconciliação com o universo, com a harmonia pagã e primitiva da Natureza. Alberto Caeiro com a intelectualidade do seu olhar liberta-se dos preconceitos, recusa a metafísica, o misticismo e o sentimentalismo social e individual. O pensamento para ele gera infelicidade, dor de pensar.
Em poucas palavras, este heterónimo pode ser caracterizado pelos seguintes adjectivos: objectividade, simplicidade, sensacionalista.
(Exemplo de uma aluna de anos anteriores)
"Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!"
Álvaro de Campos é engenheiro e sente-se atraído pelo poder e pela beleza das máquinas. Possui a urgência de "sentir tudo de todas as maneiras". Campos é vanguardista, cosmopolita, exaltando nos seus poemas a civilização moderna e os valores do progresso. Possui dois lados, um que expressa violentamente, explosivamente a velocidade, a força etc, e outro que expressa o desencanto do quotidiano citidiano, a angústia, o tédio, o cansaço.
Álvaro de Campos é engenheiro e sente-se atraído pelo poder e pela beleza das máquinas. Possui a urgência de "sentir tudo de todas as maneiras". Campos é vanguardista, cosmopolita, exaltando nos seus poemas a civilização moderna e os valores do progresso. Possui dois lados, um que expressa violentamente, explosivamente a velocidade, a força etc, e outro que expressa o desencanto do quotidiano citidiano, a angústia, o tédio, o cansaço.
sábado, 26 de março de 2011
Tipografia
Tipografia = "typos" (forma) + "graphein" (escrita)
Neste seguimento, a tipografia pode considerar-se como o processo de criação de tipos, metálicos ou fontes digitais. O principal objectivo da tipografia é dar uma forma e estrutura à comunicação impressa.
Este conceito não é de forma nenhuma recente. Como e onde começou? Como evoluiu? São a estas questões que pretendo dar resposta através deste texto.
5000 anos atrás
Os habitantes pré-históricos da Península Ibérica identificavam os membros de diferentes comunidades desenhando em pedras de xisto. As pedras de xisto foram recolhidas junto a túmulos megalíticos; estas identificavam as relações familiares, sociais dos indíviduos mortos. As pinturas do homem pré-histórico foram decisivas para a evolução dos alfabetos e da tipografia.
Egípcios (1500 a.C)
Os egípcios aplicaram três sistemas de escrita aos seus hieróglifos. As "primeiras linguagens" utilizavam, apenas, pictogramas. Como estes, por vezes, não eram totalmente explicítos começaram a juntar símbolos de forma lógica. De seguida, iniciaram a interpretação sonora do que viam e surgiram os fonogramas. Foram estes sistemas que os egípcios aplicaram à sua escrita. Este povo criou um alfabeto fonético de 23 a 24 caracteres representando consoantes, mas nunca substituíram os hieróglifos pelos glifos fonéticos que eles próprios haviam desenvolvido.
Fenícios (1000 a.C)
Os fenícios adaptaram os glifos fonéticos criados pelos egípcios para fins comerciais. Através do comércio iniciou-se a expansão deste alfabeto que foi a base de todos os alfabetos usados no Ocidente e línguas Indoeuropeias. Os alfabetos fonéticos superaram os complexos sistemas de escrita através dos pictogramas.
Gregos
O alfabeto grego deriva duma variante do semítico, introduzido na Grécia por mercadores fenícios. Dado que o alfabeto semítico não tinha glifos para as vogais, os gregos adaptaram alguns símbolos fenícios sem valor fonético em grego para representar as vogais. Em jeito de curiosidade, as primeiras vogais criadas foram Alfa, α Épsilon ε, Iota ι, Ómicron ο, Ipsilon υ. Este alfabeto foi denominado de jónico.
Romanos
Os romanos absorveram diversos elementos culturais no estrangeiro e aplicaram parte das formas gregas à sua própria língua. Foram eles os responsáveis pelo desenvolvimento das terminações designadas de serifas ou patilhas com o aperfeiçoamento das ferramentas para trabalhar a pedra. Os romanos desenvolveram não só o alfabeto, como também a forma das letras, a estética e relações recíprocas, como o espaçamento, por exemplo. Utilizaram diferentes tipos de letra: capitalis monumentalis, capitalis rustica capitalis cursiva.
domingo, 20 de março de 2011
Proposta 1: Decisões Importantes
Depois de termos escolhido a música, debruçamo-nos sobre os seus aspectos essenciais. São estes aspectos essenciais que o nosso projecto quer mostrar.
Assim, seleccionamos um conjunto de palavras que transparecem por si só o significado da música. Em primeiro lugar, pdenmos referir a palavra "second" sempre repetida antes da palavra "chance". A questão do tempo é, também, relevante: "time", "three times to regard" e "six years". "How to change my world", o nosso mundo que pode representar o nosso eu. E, claro, o mundo dos sonhos "reveries".
De uma forma muito sintética, a mensagem principal é que somos todos vítimas do "tempo". "Tempo" este que não dá segundas oportunidades por mais que olhemos para trás e os nossos sonhos... Bem, nem sempre se concretizam.
Retiradas estas conclusões surgia a questão de como vamos representar tudo isto. Afinal, existem tantos elementos e técnicas de comunicação visual. O que fazer? Foi aqui que encontramos a imagem que nos ajudou a tomar esta decisão:
Esta imagem remeteu-nos para a unidade básica de todos os elementos, o ponto. Porque não simplificar? O ritmo da música é coeso, simples, mais uma razão para não complicar. Pretendemos utilizar pontos, linhas e jogar com cores. As cores preto e branco são essenciais porque esta música de ritmo tão coeso foi originalmente pensada como uma música rock - contraste. No seguimento desta ideia de sintético e de unidade resolvemos utilizar a técnica da minimização, ou seja, obter dos observadores, à falta de melhor termo, a máxima resposta a partir de elementos mínimos.
Esta é a nossa ideia, agora só resta criar!
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